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terça-feira, 11 de abril de 2017

Flúor



Tem chamado a atenção de críticos e curadores as pesquisas de artistas contemporâneos que giram em torno do entrelaçamento social, da tactilidade e de fazeres que intercalam a potência de linguagens como a pintura, a colagem e a escultura, com a magia e rituais. Os artistas aqui destacados tocam nessas questões de maneiras bem diferentes.

Os trabalhos de Samara Scott são pensados para ocupar espaços específicos como elevadores e superfícies de água, por vezes se apresentando como pequenas piscinas. Dentro deles vemos resquícios da indústria de consumo transformado num excesso cromático representado não apenas por objetos, mas pelos próprios líquidos que ela utiliza como iogurte e corantes alimentícios.

Zadie Xa trabalha tanto com colagens feitas a partir de diferentes pedaços de têxteis, quanto com ações ensaiadas para o público. Um de seus maiores interesses é pensar a identidade asiática em territórios não-orientais como o Canadá e Londres. Para tal, a apresentação de danças e pequenas encenações é essencial, além da sua produção de objetos feitos com partes advindas de diferentes contextos.





Já Hana Miletic também trabalha com tecelagem, mas a partir de um diálogo direto com o espaço público. O ponto de partida de alguns de seus trabalhos são carros acidentados e elementos da paisagem que, após serem registrados, são referenciados plasticamente. Não só esses objetos são apresentados em exposições, como também diferentes grupos de estudos são convocados para escreverem textos e realizarem falas a seu respeito.

Caragh Thuring também trabalha de modo colaborativo com uma comunidade de tecelões. Eles foram convidados para recriar em tapeçaria seus trabalhos antigos para, na sequência, a artista intervir diretamente sobre esses objetos com pintura. A artista também busca, portanto, uma autoria compartilhada e uma revisão das linguagens tradicionais das artes visuais.




O prazer é um dos elementos essenciais da pesquisa de Matthew Lutz-Kinow. Além de sua produção de objetos, o artista é conhecido por suas instalações e happenings em que elementos da cultura queer são lembrados através de ações realizadas com seu corpo e convidados. A dança, portanto, é essencial para sua investigação, em especial quando associada à música eletrônica.

Por fim, o projeto Abravana, de Ricardo Castro, também articula dança, música e cultura pop para por vezes chegar em um resultado que beira o nonsense. Em seus trabalhos, há um claro interesse na fricção entre o digital, o esotérico e o tropical. O corpo do artista se move e estimula o movimento do público; suas exposições viram grandes festas e celebrações à brevidade da vida.

(texto publicado originalmente na edição de abril da Bazaar Art Brasil organizada pela editora convidada Gisela Domschke. Os artistas aqui citados foram todos sugeridos pela editora, assim como texto foi editado pela mesma)

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