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domingo, 28 de outubro de 2012

Parafuso




Poder-se-ia dizer que esta edição do GetTogether gira em torno do “corpo”, essa famigerada palavra utilizada de modo desenfreado na abordagem crítica sobre a arte contemporânea. Vistos os trabalhos de André Terayama, Jorge Soledar e Renato Pera, todavia, o uso deste substantivo não me parece pecaminoso, mas, me incita a enxergá-lo de modo amplo,  para além de uma habitual circunscrição unilateral deste à performance, à fotografia e ao vídeo.

Falar sobre “corpo” é , a meu ver, comentar o conceito de figura humana, tão caro à tradição clássica. Ao se falar desse tópico, como se esquecer do grande mestre da narrativa visual através da nudez, Michelangelo? Em seu grande afresco do “Juízo final” (1537-41), lá está a imagem de São Bartolomeu, homem que foi esfolado vivo e alçado a mártir. Há quem diga que esta imagem derretida se trata de um autorretrato do artista. Na ausência desta certeza, podemos fazer uma relação entre esta construção visual e a fachada do Atelier 2E1. A autoimagem de Renato Pera também se faz presente, mas não há apelo para a face. O resultado de uma artesania é escancarado através da fotografia: eis exposta uma monumental tatuagem circular. Com a pele ainda avermelhada, dolorida, seis recortes de papel compõem um todo através do lambe-lambe. Ao se olhar de muito perto uma parte de nosso corpo, assim como um microscópio, parece que a única saída é seguir a gerar fragmentos. A superfície aqui é apresentada tal qual a proposição de Michelangelo: frágil, mole, sobre papel, basta chover, molhar e escorrer, assim como aquele resquício santo.

No mesmo século XVI, em 1543, o anatomista Andrea Vesalius publica o seu “Da estrutura do corpo humano”. Como o próprio título indica, se trata uma obra que mescla texto e imagem em torno da apreensão da arquitetura humanóide e de suas interseções. Como é possível ficar em pé? Ossos e músculos são dissecados e interessa ao autor mostrar o desenho de nossas entranhas. É com esta mesma referência ao desenhar que se dá nome a “Drawing itself”, de Jorge Soledar. Rostos e braços são tomados por polígonos e criam desenhos no espaço através de espelhamentos. Se Vesalius estuda uma estrutura física, este artista contemporâneo pesquisa um possível esquema corporal. Para além do interesse pelo caráter documental da reprodutibilidade técnica, os organismos aqui estão tensionados a fim de se criar novas geometrias. Aquilo que detém vida pode ser instrumentalizado e transformado em ponto, linha e fórmula.  O adestramento se faz possível e, neste sentido, esta pesquisa artística parece mais próxima da ideia do que do simulacro.



Mais do que a representação do físico se constituir como obra de arte, nos trabalho de André Terayama, tal qual uma casa em processo de reforma, elementos se agrupam e criam estruturas que remetem a constituições orgânicas. Cadeiras, objetos de assentamento por excelência, se cruzam e se transformam em asterisco. Uma pedra alçada a protagonista é elevada às suas irmãs menores. O som da fita adesiva a ser cortada rasga o espaço e nos pede para acompanhar a montagem de um precário andaime que reverencia Brancusi. A banalidade do que nos rodeia é ressignificada em instrumentos de trabalho através da  presença filmada do artista ou da sacralização que a fotografia é capaz de atribuir a uma imagem. Os cantos e o chão aqui podem estar na altura dos olhos.

Os três artistas que aqui dialogam parecem estar em um local entre Michelangelo e Vesalius, ou seja, entre o martírio da carne e a experimentação anatômica. Se a dor é passível de interpretação em algumas dessas imagens, em outras os vasos sanguíneos são retas paralelas. Se, tal qual um parafuso, pudemos inseri-los dentro deste espaço, também é possível que os desprendamos dos lugares cômodos que o “corpo” proporciona na arte contemporânea. Mais do que prender, estes pequenos objetos talvez sejam importantes justamente pelo poder de desconectar. A história da arte, portanto, tal qual uma broca, pode contribuir para fazer com que cada uma destas poéticas seja desmontada e remontada através de uma rede de referências onde “corpo” é apenas um ponto de partida.


(texto curatorial relativo à edição de outubro do GetTogether no Ateliê Coletivo 2E1, em São Paulo)

[artistas participantes: André Terayama, Jorge Soledar e Renato Pera]

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Bastão

http://vimeo.com/43874452



Angelina Jolie, Scarlett Johanson, Kim Kardashian, Marion Cottilard e Taylor Swift. Atrizes e cantoras (ou simplesmente, como dito popularmente, “artistas”) de branca tez, lisos cabelos e boca carnuda. Esta última sozinha não fica; sobre sua superfície é espalhada, assim como tinta sobre tela, a gama de vermelhos oferecida por um batom. Os flashes são disparados e o tapete vermelho ganha um par em alguns dos rostos mais célebres da cultura de massa contemporânea.

Dezessete segundos é o tempo que Elen Gruber utiliza de modo semelhante este mesmo bastão de maquiagem em um de seus vídeos produzidos neste ano. Com o rosto em primeiro plano, tal qual um busto de mármore, a artista transforma sua boca em grandes lábios através do vermelho. Na sequência, o contorno é deixado de lado e suas mãos atacam a parte interna de seu corpo – dentes e língua são preenchidos pelo batom que se transforma em pincel. A estrutura que sustenta este objeto é deixada de lado e suas próprias mãos se sujam para que toda a sua face seja coberta. De coadjuvante, o vermelho se torna protagonista; o brinco de pérola se transforma em pintura corporal.

Despede-se da civilização e se dá boas vindas à barbárie. O tom decorativo da maquiagem feminina conota agora outro dado que poderíamos chamar, talvez, de “ancestral”; o tapete, em verdade, nunca foi vermelho e agora fica claro que é banhado de sangue. E a qual origem poderíamos atribuir este líquido? Uma leitura seria a do confronto entre o falo masculino e o hímen, o rompimento da virgindade e o sangramento. O próprio ato de se passar o batom sobre os lábios (pequenos ou grandes) não ecoa a penetração? Por outro lado, como esquecer do sangue escorrido dos rostos daquelas celebridades que tentaram ampliar o tamanho de suas bocas?



Esta obra audiovisual consegue refletir tanto sobre a história da arte, quanto sobre o estatuto da imagem contemporaneamente (se é que podemos pensa-los de modo separado). Olhar para este rosto rubro de batom faz lembrar, apenas como exemplo rápido, da Mae West, de Salvador Dalí (1934). Em 1937, o artista chega a transformar esta parte do corpo em um móvel, um sofá, ou seja, um órgão pode ser um lugar de repouso e se sentar sobre uma boca vermelha remete ao caráter sexual deste orifício. Já Andy Warhol irá lidar com a repetição e saturação através da recoloração dos lábios e rostos de centenas de retratos de Marilyn Monroe (1962) – imagem à qual Madonna recorrerá na capa de “Celebration” (2009), coletânea de seus maiores sucessos. No lugar do sorriso, porém, os lábios semicerrados e uma expressão de superioridade.

Elen Gruber contribui com esta problematização de modo diverso de Dalí e Warhol: trata-se de uma mulher que explora o seu próprio corpo através do embate com uma concepção socialmente institucionalizada sobre o que poderia vir a ser “feminino”. Neste sentido, ao se colocar no lugar de sujeito e objeto, sua pesquisa pode ser relacionada com o trabalho da artista francesa Orlan. Sem recorrer às cirurgias plásticas, enfocando sua atenção sobre a superfície, a artista lança os holofotes sobre palavras-chave como apresentação, identidade e representação.

Todos corremos nossos cem metros com barreiras cosméticas a cada dia. Ao se olhar de modo perspectivo, talvez com o auxílio da História, nos damos conta da bagagem cultural jogada sobre os ombros das mulheres – nossa prova muda e nos vemos em outra corrida, um revezamento com bastão. Se olharmos com bastante atenção, ficaremos espantados: há mais Lindsay Lohans ao nosso lado do que podemos imaginar.


(texto produzido originalmente para a Revista Performatus e publicado em outubro de 2012)

sábado, 13 de outubro de 2012

Aqui é arte





2012. Podemos lembrar das duas décadas de abertura para a entrada de estrangeiros em Ekaterinburg. Importante centro industrial na História da Rússia, a área foi considerada por algumas décadas como espaço de importantes segredos de estado e, portanto, a circulação de não-russos era proibida. Ironicamente, na segunda edição da bienal que tem “industrial” em seu nome, tivemos a oportunidade de organizar uma exposição que coloca duas geografias diferentes lado a lado.

Nascido em 1977, é possível afirmar que andar é o instrumento principal da pesquisa artística de Paulo Nazareth. Em 2011, o artista realizou um trajeto entre Brasil e Nova Iorque, passando pela chamada “América Latina”. Durante seis meses, Nazareth teve a fotografia e o video como parceiros e realizou alguns registros dos seus encontros com outros indivíduos. Quando chegou nos Estados Unidos da América, lavou seus pés no Rio Hudson. Que fatores distanciam a nação intitulada “unida” das muitas outras Américas? Poderíamos listar muitas razões como a geografia, a economia e a política. O que Paulo Nazareth parece frisar, por outro lado, é o que nos aproxima, ou ao menos deveria aproximar – o fator humano.





Enquanto Nazareth nascia, Bukashkin estava em efervescente produção artística. Se aproximadamente quarenta anos separam suas datas de nascimento, o mesmo não pode ser dito das imagens que produziram. Autorretratos estão presentes em ambos os trabalhos – no primeiro, através da fotografia e pela via da pintura no segundo. A escrita é outro elemento essencial. Bukashkin era um poeta e organizou livros de artista em que a relação entre imagem e texto é muito importante. É nesse viés que a alteridade fica clara em seu trabalho – através de diferentes esforços para transformar seus poemas em imagem, ele e pessoas sem formação artística colobararam.

Qualquer um de nós pode ser artista. Essa capacidade parece ser latente nos trabalhos de Bukashkin e Nazareth. São trabalhos sobre ampliar o conceito de arte para além das belas-artes. Objetos coletados na rua podem ser vistos através de um olho estético. Como Paulo Nazareth diz em um de seus panfletos, “Aqui é arte” – eu sou arte, você é arte, nós somos arte, eles são arte. Torçamos que esse encontro, mesmo que virtual, entre duas forças, possa se tornar arte também. Que novos cruzamentos entre Brasil e Rússia, esses dois distantes países-continentes, mas ao mesmo tempo tão próximos, possam proporcionar mais colaborações que celebrem a delicada arte de se viver junto.

[e que a cada dia mais brasileiros andem na Rússia e russos caminhem pelo Brasil] 




(texto curatorial relativo à exposição coletiva "World citizens", realizada entre 13 de setembro e 25 de outubro nao B.U.Kashkin Museum, na Ural Federal University, em Ekaterinburg, na Rússia)

[artistas participantes: Old Man Bukashkin e Paulo Nazareth]

domingo, 7 de outubro de 2012

Fechaduras




Muitas podem ser as formas de uma fechadura. No presente evento expositivo realizado no Ateliê Coletivo 2E1, temos no mínimo três sinuosos e diferentes desenhos para este orifício que convida o espectador a contemplar.

Na fachada da casa, diferente das entradas para chaves, contornos se oferecem ao público de modo horizontal. Estas silhuetas se configuram como um pasto sobre a arquitetura. Pequenas imagens de vacas quebram com a pretensão uniforme do branco que acentua a verticalidade do edifício. Ao se lançar o olhar a partir do outro lado da calçada, pontos dourados convidam o passante a se deter por alguns momentos sobre uma ambiência bucólica incompatível com a disseminada imagem da cidade onde o cinza é rei. O panorama convida para a minúcia.

Entre quatro paredes, uma ação que envolve a troca entre artista e público é inserida em um contexto burocrático. Sobre a luz de uma luminária, ambos tem suas sombras projetadas sobre um rolo de papel que serve de fundo. A ponta do lápis se transforma no vértice de uma faca e o que um dia foi área obscura e fugidia se transforma em figura humana. A intimidade de se resguardar a sombra de um ente querido, narrada deste a Antiguidade através da figura de Butades, aqui é atravessada por um comprovante de movimentação de sombras; documenta-se um impossível controle.



Ao fundo, na penumbra, o amarrotado branco de uma inflável cama de solteiro contrasta com o brilho do arame farpado. O lugar de repouso ganha tons de campo de batalha e os braços de Morfeu são mais próximos de um abraço de Ícelo. Nesta inversão da ordem doméstica, onde nossas plumas mentais são capazes de cair de “baixo para cima” (ou melhor, onde o senso de direção lógico é abandonado) só temos uma saída: abraçar nosso travesseiro bem forte e esperar pelo parar dos ponteiros. Não, não existe nenhum som em nosso relógio, mas um pêndulo insiste em coordenar nossos olhos.

Ao abrir esta casa, pedimos aos voyeurs da arte contemporânea que bisbilhotem a doação de sombras a Daniela Seixas, a fronteira pontiaguda de Carolina Paz e o dourado profano de Luciano Boletti. Se existem fechaduras, elas hão de ser usadas como monóculos poéticos.



(texto curatorial relativo à edição de setembro do GetTogether no Ateliê Coletivo 2E1, em São Paulo)

[artistas participantes: Carolina Paz, Daniela Seixas e Luciano Boletti]

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O adeus na esquina




Cresci num bairro chamado Boiúna, no subúrbio do Rio de Janeiro. Entre meu primeiro ano de vida e meu vigésimo segundo aniversário, morei numa grande casa com a minha mãe. Quando tinha seis anos, meu irmão do meio faleceu num acidente de moto. Aos doze, minha avó saiu de casa e, no ano seguinte, meu pai se separou e casou novamente. Meu irmão mais velho nunca realmente morou conosco, mas costumava passar os finais de semana. Éramos uma família de seis pessoas e um dia nosso lar existia para dois.

Toda vez que visito minha mãe (já que agora vivo no meu próprio apartamento), lembro da história da nossa família. Rumo à Boiúna, após pegar dois ônibus no Centro ou um trem e um ônibus, sempre tenho em mente como meu velho bairro está diferente. Mais do que isso, percebo como esse lugar que um dia foi tão familiar durante a minha infância, se tornou estranho. O Centro que um dia foi distante é o lugar onde moro já há dois anos. Minha primeira casa (agora chamada por “casa da minha mãe”) é visitada uma vez por mês (quando consigo fazê-lo). O aspecto bucólico de um espaço cedeu ao cosmopolitismo de outro.

Cidades tem o mesmo ciclo biológico da vida. Lugares são construídos, divididos, renomeados e destruídos do mesmo jeito que os membros da minha família mudaram, cresceram ou até mesmo morreram. É estranho chegar na Boiúna e ver que as cores dos ônibus mudaram ou que um antigo funcionário do mercadinho não trabalha mais ali. Essas descontinuidades demonstram a natureza efêmera dos espaços públicos e privados. Cidades são, portanto, compostas por processos invisíveis; se um homem não pisa duas vezes no mesmo rio, uma rua ou fachada nunca será apreendida com a mesma compreensão por uma segunda vez.








Mesmo imersos num mundo de smartphones, GPS e mapas rapidamente atualizados, algumas palavras escritas em 1969 pelo historiador da arte italiano Giulio Carlo Argan sobre uma comparação entre a cidade e a pintura de Jackson Pollock são ainda inspiradoras. Se pudéssemos traduzir visualmente nossa experiência individual no espaço urbano, obteríamos “uma espécie de mapa imenso, formado de linhas e pontos coloridos, um emaranhado inextricável de sinais, de traçados aparentemente arbitrários, (que) interrompem, recomeçam e, depois de estranhas voltas, retornam ao ponto de onde partiram”.

Retornar ao ponto de partida. Depois de beijar e me despedir, saio da casa da minha mãe rumo à rua. Depois de uma caminhada de um minuto, chego na esquina. Paro, olho mais uma vez para ela, aceno minha mão direita e dou adeus. Esse ato me acompanha desde que tenho qualquer consciência de passado. Viro à esquerda e então a casa desaparece. Tomo um caminho para algum lugar. A incerteza descreve esse andar banal. Esta pode ser a última vez que vejo o seu rosto vivo. A cidade pode nos separar fisicamente, mas não é capaz de destruir o nosso amor.

Essa exposição é sobre esquinas dobradas e cidades andadas, sobre se sentir distante e próximo da História, do urbanismo e, por que não, da mitologia. Podemos tentar representar os espaços pela pintura, desconstrui-los com quebra-cabeças, grafite e pedaços de papel. Lugares abandonados podem ser lembrados pela fotografia, monumentos podem ser inventados e árvores são a base para que linhas de lã criem mapas ficcionais.

A arte contemporânea nos oferece muitas possibilidades para abordar a “cidade como processo”, seja na Rússia, seja no Brasil. Os espaços nos afetam e criamos uma relação existencial com a arte. Mesmo com nossas singularidades culturais, arquitetônicas e urbanísticas, sempre teremos uma coisa em comum: o adeus na esquina, essa imagem que é imensurável, não tem registro e, para além de nossas diversas denominações geográficas, nos torna igualmente humanos. 







(texto curatorial relativo à exposição coletiva "City as a process", realizada entre 13 de setembro e 25 de outubro na Ural Federal University, em Ekaterinburg, na Rússia)

[artistas participantes: Daniela Seixas, Felippe Moraes, Fyodor Telkov, Irina Danilova, Iris Helena, Ivan Chemakin, Ivan Grilo, Luísa Nóbrega, Margarita Khalturina, Mariana Katona Leal, Mayana Redin, Oleg Elovoy & Dmitry Kunilov, Radya, Renato Pera, Sergey Rozhin e Vladimir Seleznyov]

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Desnível




A exposição “Desnível” problematiza aquilo que seu próprio título aponta, ou seja, a apreensão do equilíbrio através de imagens e objetos que supostamente poderiam vir a se apresentar nivelados ao olhar do espectador.

Uma série de desenhos relativos à realização de instalações se encontra exposta. De um lado, o público tem acesso ao projeto de concepção mental do artista, ao passo que de outro há o embate com mecanismos efêmeros construídos de modo artesanal. O traço firme do desenho se contrapõe ao movimento que decorre das instalações. O cientificismo da engenharia cede espaço para a fluidez do fenômeno artístico.

Através do vídeo, o artista tenta manter seu corpo equilibrado com um nível em mãos. A cada deslize, uma nova tentativa de firmeza é capturada. A própria estrutura de projeção, sustentada por pedras associadas a roldanas, aponta para a instabilidade. Outros trabalhos somam à narrativa do encontro entre materiais. Longe dos lugares estanques, os objetos agrupados estão à iminência de pequenas destruições; se houver qualquer deslize, assim como em um laboratório de química, elementos se chocam e a explosão é garantida.

Os trabalhos aqui selecionados se configuram como um convite a alguns prefixos presentes na poética de Anton Steenbock. Assimetria, desequilíbrio e dúvida são algumas das palavras-chave, ou melhor, forças-motoras de sua pesquisa artística.



(texto produzido para a exposição "Desnível", de Anton Steenbock, no Sesi Arte Contemporânea, em Curitiba, entre 20 de setembro e 18 de novembro)