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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Quando a geografia é um detalhe

Quatro realizadores, diversas obras audiovisuais e uma possível constância geográfica: Minas Gerais. Não, não apelarei para o discurso da "mineiridade" (que às vezes tem nas entrelinhas aquele outro péssimo discurso da "brasilidade") tão comentado, criticado e revisto por autores como Mário de Andrade, Frederico Morais, dentre outros. O que rascunharei aqui são algumas observações feitas a partir da apreciação dos vídeos selecionados por estes quatro jovens realizadores para suas próprias sessões. Enquanto os assistia, constatei que existem diálogos para além da geografia entre as suas obras; alguns tópicos insistem em aparecer nas suas poéticas e são trabalhados formalmente de modos variados.

Já tendo tocado na questão "geografia", devido ao fato destes quatro diretores terem produzido para de sua obra em Minas, parece justo começar lançando luz sobre "explorações geográficas" constantes a suas obras. Três delas podem ser lidas a partir da relação "Brasil e exterior", ou seja, temos brasileiros inseridos em espaços e culturas alheios aos seus. "Artifícios do olhar", de Joacélio Batista e Pablo Lobato, no lugar de simplesmente jogar seu olhar para os habitantes da África do Sul, dá, literalmente, a câmera em suas mãos e uma chance para que eles possam se olhar ("parece um espelho", diz uma senhora) e que possamos olhá-los. Crianças, trabalhadores, idosos, negros e brancos; todos tem a oportunidade de criar intimidade com a câmera de vídeo. Em "O estrangeiro", de Gabriel Sanna, temos a repetição das luzes e movimentos dos carros de Tóquio contrastados com extratos de "música popular brasileira". Um homem em um hotel que faz um auto-retrato em frente a um espelho. Se na primeira obra temos a representação de um ambiente mais "rural", pelas mãos de Sanna deparamo-nos com a megalópole que é Tóquio.

Em outra de suas obras, "O crepúsculo dos ídolos", opta por fazer um documentário mais "observacional", silencioso, sobre um estádio de futebol. Diversos ângulos são escolhidos e fruímos a arquitetura de forma inusitada, sem torcedores, sem grande espetáculo. Santa Cruz é o nome do estádio (templo), o espaço religioso do futebol que está vazio. Falando em religião, n'"Os cantos da casa", de Vinícius Cabral, temos a exploração de um espaço mediada por uma simpática mãe-de-santo que explica para a câmera quais os termos, funções e possibilidades de filmagem daquela arquitetura aparentemente simples que vai sendo mostrada. Enquanto isso, em outro momento, aquele grupo de pessoas vestidas de branco dança e canta. Parece constante a todos estes objetos audiovisuais a relação entre realizador, alteridade cultural e paisagem.

Marcante é a opção de, literalmente, assumirem a direção de seus vídeos. Muitos deles contam com a forte presença (e co-direção, talvez) dos amigos e familiares daqueles que sustentam as câmeras e assinam estas obras. Gabriel Sanna explicita isso no próprio título de seu "Plano sequência para surtar os amigos", em que observamos um cover  de Radiohead, cerveja, cigarros e um possível apartamento. Do mesmo princípio são os protagonistas de seu "Relações afectivas com o Tejo" ou de "Diferença ou repetição (os senhores do anel)", em que Dudu lança lama sobre o tio Oiticica e os (muito) sensíveis vídeos que querem dialogar com as artes plásticas. A auto-inserção do diretor em "1991", através de imagens de arquivo, marca contraponto a esta produção de uma geração mais "20 e poucos anos".

Inserindo-se, pelo viés da voz, há "Entre o terreiro e a cozinha", de Joacélio Batista, belo retrato conjunto de uma avó e seu neto. Sobre o cozinhar em conjunto e a cultura oral e seu registro através de imagens em movimento. É possível ler ainda certo ensaio sobre a genealogia, em especial quando deparamo-nos com a senhora idosa a abater uma galinha, ou seja, um mais jovem gravando a imagem da mais velha, mais próxima ao próprio abater-se. A homenagear também os pais de nossos pais temos "Watergrandma" e "Divergrandpa", de Igor Amin. Avós, água e um robô como narrador. "Ele é como um Windows para mim", diz este sobre o seu avô. Seguindo por uma movimentação de câmera e edição um pouco menos rígidas e baseadas no discurso oral de seus filmados, Vinícius Cabral se utiliza de amigos nos seus "Abatedouro" e "O ato libertário". No primeiro temos figuras carimbadas dos festivais de cinema opinando sobre a vida e a morte de vacas, ao passo que no segundo há a divertida aparição de Débora Marianno, que incentiva a libertação individual através do simples ato de estourar objetos banais, nos remetendo imediatamente à nossa rebeldia infantil/adolescente.

A tal simplicidade tanto deste último vídeo quanto dos objetos sob os quais as pessoas pisam não nos faz esquecer da palavra "libertário" em seu título. A documentada principal chega mesmo a debater com Vinícius sobre a atribuição deste adjetivo aos seus atos. Seria este o mais adequado? Com um sim ou com um não, parece ser inevitável a leitura deste por um viés mais político, da mesma forma como quando nos deparamos com "Vídeo terrorismo (video terrorism)", do mesmo diretor, em que as (já) tradições da Al Qaeda são relidas e contrastadas com um debate livre via telefone entre conhecidos acerca da sociedade atual. "Free Tibet", do mesmo em parceria com Igor Amin, também se utiliza de estrutura semelhante, mas já para problematizar a relação entre religião e atos extremos quanto ao território oriental cuja figura central é o Dalai Lama.

As galinhas mortas em seu outro vídeo viram uma metáfora para aqueles que ainda insistem em ver televisão n'"O relacionamento entre a mídia e sua audiência", de Joacélio Batista. Simples, eficiente e intrínseco ao comportamento destes pássaros, o diretor pega o caminho oposto à verbalização e trabalho de som explorados por Igor Amin e Vinícius Cabral em algumas de suas obras com cunho de crítica social ou mesmo por Gabriel Sanna no já citado "Diferença ou repetição", em que os pareceres são construídos especialmente pelas frases de efeito soltadas por um de seus registrados. Na obra de Joacélio, riscar o chão serve como símbolo para a televisão e seu poder hipnotizador. Nem a presença de outro penáceo é capaz de subverter o olhar daquele que já foi subvertido.

Também com animais como protagonistas desde o seu título, existe o "Cães da vizinhança", de Gabriel Sanna, que pode ser fruído ao lado de seu "Enfim sós". Dois personagens, um momento de isolamento entre os mesmos (seja pelo telefone, seja pela presença conjunta em uma rua). Homem e mulher, desejo e rejeição. Durações menores, imagens que se repetem e uma trilha que se desenvolve lentamente. Com vídeos de menor duração, chegando a um minuto, Igor Amin dedica-se a pesquisar um formato mais próximo às vulgas 'vinhetas', mas sem deixar de lado suas objetivas e ácidas críticas sociais: sobre a fome, o World Trade Center e a automatização das relações humanas. Vinícius Cabral dialoga com seu parceiro de vídeos e coloca a bunda feminina em primeiro plano: arte e pornografia podem estar juntas? A sacralização da bunda a elevaria ao estatuto artístico ou a banalização da arte que seria a responsável por isto?

Por fim, nada parece mais justo do que constatar como novos realizadores que pretendem (e tem) suas obras já comentadas e institucionalizadas realizam releituras de outros há muito consagrados ou igualmente em atual destaque no circuito dos festivais. Em "Pescaria", Joacélio Batista vai longe a fazer uma breve curadoria composta pelos grandes nomes da dita abstração geométrica: Paul Klee e Piet Mondrian. Por outro lado, apelando para uma paisagem gélida, ao ver "Lejos" não consegui abstrair da lembrança de "Man. Road. River.", de Marcellvs (um mineiro, por coincidência): câmera estática, a paisagem, o desaparecer, o seguir em frente. Gabriel Sanna e Igor Amin releem obras audiovisuais ainda mais recentes. O primeiro a faz na edição: filmado em 2007, em Portugal, "Incidente" tem como cenário um trem, da mesma forma como "Ocidente", de Leonardo Sette, filme que segue percorrendo os festivais brasileiros. Resultado: Sanna resolveu finalizar seu até então material bruto (ou "material caseiro") após a apreciação do curta de Sette. Enquanto isso, Amin dialoga com outros realizadores pernambucanos, da TV Primavera, responsáveis por, inclusive, um vídeo homônimo ao mineiro: "Amin", a ser exibido em nossos panoramas livres desta edição da Mostra do Filme Livre.

Os resultados das pesquisas artísticas dos quatro realizadores aqui pinçados apontam para diversos lados e, obviamente, são maiores e mais expressivos do que as palavras dispersas por esse curto texto. Cada um deles mereceria um olhar mais apurado, atento aos detalhes de imagem e som, e crítico o bastante para estabelecer mais diferenças e semelhanças entre suas formas - trabalho este longo e que foge ao espaço deste catálogo. Por outro lado, espera-se que estas linhas intriguem minimamente o leitor e façam com que este marque presença nas cinco sessões de nossa retrospectiva tendo em mente os recortes de diálogos que estabeleci e com um olhar livre para a criação de outras relações com outros realizadores mineiros, brasileiros ou não. Enfim: que a geografia se torne um detalhe questionável, mas que os une, em vez de um rótulo homogeneizante.

(texto publicado originalmente no catálogo da Mostra do Filme Livre em abril de 2009)

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Sobre o É Tudo Verdade 2009

Esta foi minha primeira experiência com o famoso festival de documentários É tudo verdade, realizado em terras cariocas entre 26 de março e 05 de abril. Duas sessões e apenas nove curtas-metragens nacionais em competição. Sete produções do sudeste (Rio, Sampa e Minas), uma de Brasília e outra de Pernambuco. Devido a este restrito número de curtas, parece mais adequado fazer comentários individuais e, como me foi sugerido após uma leitura de meu texto anterior, respeitar os programas montados pela curadoria e sua seqüência de filmes.

Assisti às noves propostas audiovisuais no mesmo dia, domingão dublado do dia 29 de março. Abrindo a seleção um curta que assisti no 1º Festival do Júri Popular, mas que deixei sem comentários, “No tempo de Miltinho”, de André Weller. Uma interessante junção entre simpatia do entrevistado, rápida edição e utilização de animações e imagens de arquivo que sublinham suas falas, a obra acabou por se destacar dentro da sessão. Não se trata de um documentário em que a pesquisa de linguagem (vulga “experimentação”) é percebida em primeiro plano; a opção por um formato levemente “talking heads”, baseado no depoimento, aponta para o lado oposto a isso. Porém, o seu tema é tão atraente (a música, o ritmo e, por fim, o tempo) que o espectador acaba seduzido pelas rugas e marcas na vida do senhor Miltinho.

Indo por outro caminho, o do “documentário de observação”, temos Chapa, de Tatiana Toffoli. Enquanto “No tempo de Miltinho” tem precisão técnica, cuidado em seus efeitos visuais e foco em um ícone da música brasileira, esta outra obra aponta para a entropia da cidade de São Paulo: uma câmera distante, estranhos que andam e recortes de momentos rápidos de suas vidas. Placas que indicam o nome dado ao trampo destes homens e o cinza do concreto e da fumaça dos caminhões que os mesmos orientam. A relação dos filmados com a câmera é tão distante e mesmo, talvez, indiferente, que em alguns momentos me senti imerso nesse universo de anônimos homens (apenas sei que são “chapas”) e como que a fruir uma ficção. Temos aqui um interessante contraste entre propostas audiovisuais proporcionada pela seqüência criada pela programação do festival.

Dialogando mais com o segundo filme há também “Leituras cariocas”, de Consuelo Lins. Também um embate com anônimos, porém o que os une é o metrô do Rio de Janeiro. Enquanto em “Chapa” o nó é dado pela profissão, aqui este é um lugar, ou melhor dizendo, um não-lugar: um espaço entre, um meio de transporte. Importante: um meio, nunca um fim. As pessoas não vão até o metrô, mas sim passam por ele. O fim está fora dali. E o que elas têm em comum? A leitura. Desde o torpedo de celular até o músico que lê partituras. Co-criando com os filmados, a diretora pede para que eles leiam em voz alta o que antes fariam apenas com os olhos. Um mosaico de pessoas e de finalidades de leitura dentro deste meio.

E “Confessionário”, de Leonardo Sette? Um plano-seqüência e um relato de experiência de viagem. Um estrangeiro e uma narração (de dificílima compreensão sem as legendas) acerca de suas experiências com índios no Brasil. Um retorno ao “Brasil dos viajantes”? Talvez, mas desta vez lançando o olhar de forma diversa: o tupiniquim lança seu olhar (que sempre será seqüenciado) sobre o “outro” que, por sua vez, verbaliza sua experiência com o seu “outro”, ou seja, o tupiniquim. Nem o tom de celebridade de Miltinho, nem a câmera que passeia entre chapas, nem a fusão de vidas no metrô: aqui o clima é árido e o tempo se arrasta (e precisa de muletas).

Falando em aridez, nada mais justo do que seguir com “Ser tão”, de Luiz Guilherme Guerreiro, que aponta para este clima em seu título e mesmo no lugar onde foi filmado, a histórica cidade de Canudos, onde Zé Celso Martinez Corrêa e sua companhia de atores também encenaram seu grande sucesso “Os sertões”, baseado nos relatos de Euclides da Cunha. O curta acaba sendo uma mistura entre depoimentos do elenco e outros mais relacionados à produção do evento, falas dos moradores da cidade e registros da peça. O mix é tamanho que em alguns momentos a tela divide-se em imagens simultâneas e de recortes diferentes. A estrutura do filme parece um tanto quanto confusa e fez que eu concluísse que talvez fosse mais interessante se o enfoque estivesse em um criar em conjunto com o diretor teatral e, conseqüentemente, recriar (documentar?) estas leituras do texto de Euclides. Os elementos do filme são múltiplos e pouco profundos; vemos apenas sua superfície. Acho que faltou mergulhar de cabeça nessa experiência do Teatro Oficina. (É a mesma crítica que faço, por exemplo, a um filme como “Corpo de Bollywood: o povo quer cinema”, de Raquel Valadares e exibido no Festival Brasileiro de Cinema Universitário deste ano: o tema é obviamente interessante, mas o formato, a forma do filme, acaba por distanciar o espectador da experiência daquilo, do cinema neste caso, ou de Zé Celso no outro caso).

Pausa para a segunda sessão. Tomar um balde de cappuccino e voltar ao Unibanco Arteplex. A seqüência Chapa-Leituras Cariocas-Confessionário, mesmo que interessante e coerente, é difícil e lenta, fazendo com que algumas pessoas dentro do cinema em Botafogo tenham, literalmente, apagado ao meu lado.




Dos corpos dos atores de teatro para a cultura oral do “samba caipira” de São Paulo: “Samba de quadra”, de Gustavo Mello e Luiz Ferraz. Segunda sessão e segunda vez que um filme sobre música é o abre-alas. De modo diferente, os diretores aqui conseguem mesclar os rostos enrugados e até então desconhecidos do público que proporcionam falas nostálgicas com amostras de seus espaços privados. Não é à toa que vemos estes senhores e senhoras cozinhando dentro de suas casas, entre um papo e outro. Assim como “No tempo de Miltinho” temos aqui uma obra que gira em torno do tempo; não dentro da escala musical, mas sim o tempo das mudanças, o tempo que já transcorreu essas vidas e, acima de tudo, poderia dizer que é um filme sobre saudade. Saudade de como se fazia música antigamente e, nas entrelinhas, falta da juventude, falta daquele tempo bom que não volta nunca mais.

Dos corpos enrugados para os daqueles que são ou gostariam de ser dançarinos: “A arquitetura do corpo”, de Marcos Pimentel. Planos dos pés torcidos, planos das mãos para o ar. Imagens marcantes e longo tempo de exposição. O espaço dos ensaios, a vida lá fora e os momentos em que tentamos unir, talvez de forma vã, as duas coisas. O aplauso ao fim e o rigor daquela que adestra o corpo. As tentativas e erros. Diferentes idades do homem. A frustração dos que falham, a felicidade dos que persistem e concretizam suas vontades através de torções, através de dança. Silêncio por parte daqueles que são filmados e mais uma potente edição de som do Grivo. Meu curta-metragem favorito desta seleção? Talvez.

Dos corpos atléticos e variados para a micro-história de um imigrante: “Nello’s”, de André Ristum. Como em “Samba de quadra”, mostrar o cozinhar é igual a entrar na intimidade do documentado. Aqui, porém, isto é indicado no título mesmo do filme, Nello’s, o nome do restaurante de Nello’ de Rossi, italiano que ao Brasil chegou nos anos 70. Desejos de ser ator e diretor de cinema contrastados com a necessidade de se conseguir o ganha-pão. Assim como o primeiro curta de sessão, uma obra sobre o tempo e, dialogando também com o curta de Marcos Pimentel, sobre a concretização de planos e sonhos, mas no campo do audiovisual. Assumidamente um filme “talking heads”, sem a potência visual de “No tempo de Miltinho”, mas que acaba por seduzir o espectador pelo carisma daqueles que falam.

Dos imigrantes para os trancafiados: “A casa dos mortos”, de Débora Diniz. Co-criação: participação mais que ativa dos internos de um manicômio judiciário de Salvador com a câmera, a diretora e o espectador. A própria estrutura da obra é baseada na poesia de um deles. Mais solitários do que o “solitário anônimo” do filme anterior da diretora, mas com nada de anônimo: estes homens podem ser qualquer coisa, como em um momento um deles explicita. Podem ser o “governo do Estados Unidos” e Deus, ao mesmo tempo. São mortos-vivos, como seu título mesmo indica de leve. São empurrados pelo seu ambiente, vivem em conjunto e separadamente ao mesmo tempo, e flutuam com muita naturalidade pelas mortes, partidas e retornos desta grande casa. O que une esses homens é a sua arquitetura deveras mal-conservada.

Se tudo é verdade eu não sei (e acho que nem quero saber). Diversos dos filmes esbarram assumidamente no campo da ficção, nem que ela seja encenada pelos documentados. Para saber se tudo é verdade, primeiramente deveria definir o que é verdade. Para engavetá-los como documentários deveria antes distinguir os outros gêneros. Como não consigo acreditar de forma acrítica nestes rótulos (isso porque nem toquei no pior deles, o “experimental), acho mais justo concluir que os filmes mostrados tocam em pontos comuns em graus diferentes: o tempo, os corpos daqueles que foram perpassados por ele e os espaços em que essas fisicalidades habita(va)m e que também estão em processo de deterioração. E estes filmes estão aí para isso: não deixar que esses indivíduos, anônimos ou não, “passem em branco”, sejam detonados pelo tempo e sem registro. “Não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar”.

(texto publicado originalmente na RUA - Revista Universitária do Audiovisual em abril de 2009)